quarta-feira, 8 de julho de 2026

De "Céu de Chocolate" a Cacau quentinho

Do áudio livro Histórias de chocolate, de José Jorge Letria, recriámos o “Céu de Chocolate”.

OUVIR
«
Era uma vez um país distante e quase desconhecido, que tinha um céu de chocolate. O céu era muito espesso e muito doce e representava um problema para os habitantes desse país, porque não os deixava ver o sol, a lua e as estrelas no pano escuro e luminoso das noites As pessoas gostavam muito da doçura do céu de chocolate mas viviam tristes e cabisbaixas, por terem aquela imensa massa castanha sempre por cima das suas cabeças.
Dando-se conta da tristeza dos habitantes, de quem gostava, o céu pediu ao sol para enviar os seus raios fortes e, vendo esse pedido satisfeito, o chocolate começou a derreter-se lentamente!
Sobre as cabeças daqueles que, tristes e desiludidos, já pensavam em partir de vez, começaram a cair pequenos pedaços de chocolate ao mesmo tempo que, lá no alto, se avistava já o rosto radioso do sol.
E foi assim que nasceram os bombons».

Ouvida a história, na voz do seu autor, optámos por uma abordagem mais tradicional: identificámos as personagens, o problema que a história descreve e a solução encontrada, para, de seguida, passarmos à escolha do que iríamos alterar.

Num mundo de conto de fadas não é preciso explicar a razão de tudo; podemos sempre dizer que aquilo é assim porque a “fada” quis assim: é magia. Daqui apreciarmos este tipo de propostas de escrita, quando se trata de ensinar a escrever em fases de iniciação, pela possibilidade que dá de sair rapidamente do impasse em que por vezes o texto cai: quando o enredo corre o risco de se arrastar, podemos sempre convocar a personagem mágica, que traz o fim, sem serem necessárias grandes explicações.

Então, inseridos na lógica da história, sem mais explicações, decidimos que o céu de chocolate deixaria de ser céu, para passar a ser nuvens de cacau, que não deixam ver o céu azul, mantendo, no essencial, o enredo da história. E o Céu de chocolate virou Nuvens de Cacau, que caiu quentinho nas ruas, nos telhados das casas...







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